Uma história de família
De Nemoli, no sul da Itália, a Araraquara. De Araraquara a Chicago.
Mais de um século construindo — casas, bairros, prédios e um nome.
Ato I · 1900 – 1973
Ângelo Smirne — Nemoli, Itália, 22 de outubro de 1900
Ângelo Smirne nasceu em Nemoli, um vilarejo no sul da Itália, filho de Francesco Smirne e Maria Imperiali. Em 1909, aos nove anos de idade, atravessou o oceano com a família rumo ao Brasil — primeiro Rincão, e aos dezoito anos, Araraquara, a cidade que carregaria seu nome para sempre.
Trabalhou a madeira a vida inteira: começou na carpintaria e marcenaria ao lado do pai, passou por fábrica de vassouras, tanoaria — fazendo barris de aguardente —, fábrica de móveis, até montar a serraria que abastecia toda a região. Em 12 de julho de 1922 casou-se com Maria Cortez, com quem teve sete filhos: Geraldo, Ronaldo, Romualdo, Maria Aparecida, Arnaldo, Ana Maria e Wanda.
Araraquara não o esqueceu. Em 26 de julho de 1979, o decreto municipal nº 4.167 deu seu nome a uma rua da cidade, no bairro Dr. Tancredo de Almeida Neves: a Rua Ângelo Smirne.
Ato II · 1973 – 2019
Edifício Ângelo Smirne · Smirne Empreendimentos Imobiliários
Depois da morte do pai, os filhos fizeram o que ele não pôde: ergueram o prédio para a moradia da família, na Avenida Dom Pedro II com a Rua Carlos Gomes, e o batizaram Edifício Ângelo Smirne. Ele está de pé até hoje.
Em 19 de novembro de 1980 nasceu a Smirne Empreendimentos Imobiliários Ltda, com sede na Av. Dom Pedro II, 769 — e, ao lado dela, a Smirne Madeiras e Materiais para Construção, continuando o ofício que Ângelo trouxera da Itália. Foram quase quarenta anos de atividade, até 2019.
Mais de quinhentas casas erguidas de uma vez, na antiga fazenda da família no meio da cidade. Hoje, um bairro inteiro.
Outra fazenda da família transformada em bairro — com vários terrenos doados para a construção de praças públicas.
Conjunto de prédios na Rua Antenor Borba, no Jardim das Flores.
Construída num terreno da família e doada à prefeitura — com o terreno junto. Na base, as placas de agradecimento estão lá até hoje, na Av. Paulino Rodella.
O terreno onde hoje funciona a Polícia Federal de Araraquara foi doado por Ronaldo Smirne.
O prédio-sonho, na Av. Dom Pedro II com a Carlos Gomes — construído pelos filhos em homenagem ao pai.
Área de 22 alqueires loteada pela Smirne Empreendimentos na Avenida 36, onde depois nasceram conjuntos residenciais e prédios comerciais.
O CER "Concheta Smirne Mendonça", escola municipal no bairro Quitandinha — mais um nome da família servindo a cidade todos os dias.
Nos anos 90, a família ergueu um hotel a quase mil quilômetros de casa, na terra das Cataratas do Iguaçu. A obra chegou a 99% — e, mesmo sem nunca ter aberto as portas, ficou como prova de até onde ia a ambição da Smirne.
Ao longo dos anos, mais de cem casas de alto padrão erguidas em Araraquara — do bairro popular inteiro à residência sob medida, a Smirne construía nas duas pontas.
Ronaldo construiu o prédio que abrigou a primeira concessionária Fiat de Araraquara — e foi sócio dela. Construtor e empreendedor no mesmo negócio. Av. Padre José de Anchieta, 901 📍
Filantropia
Por muitos anos, Ronaldo serviu ao Lar São Francisco de Assis — o centenário asilo de Araraquara. Fez parte do conselho da instituição, arrecadava fundos e fazia doações do próprio bolso, todos os anos. E fazia também o trabalho de rua: todo Dia de Finados, vendia velas na porta do Cemitério dos Britos para arrecadar dinheiro para o asilo, levando o filho pequeno junto.
Portfólio
Erguidos por Ronaldo Smirne em Araraquara — galeria em construção, como tudo nesta família.







As marcas
As logomarcas das empresas Smirne em Araraquara — o mesmo "S" vermelho que hoje ecoa no S9.
Marcas redesenhadas em vetor a partir dos registros originais.
Mapa da memória
Cada lugar desta história existe e pode ser visitado. Toque para abrir no Google Maps:
Registros históricos: "Seu nome está na rua: Ângelo Smirne" — RCIA Araraquara · Jornal de Araraquara — registro fotográfico de Ronaldo e Ana Smirne (anos 90)
Ato III · 2014 – presente
Frederico & Flavio Smirne — Construction & Remodeling · Chicago, EUA
Cem anos depois de Ângelo embarcar para o Brasil, a família atravessou um segundo oceano. Desde 2014, a terceira geração — os irmãos Frederico e Flavio Smirne, em parceria — constrói e reforma casas em Chicago: banheiros, cozinhas, andares inteiros, com o mesmo ofício que começou numa carpintaria no sul da Itália.
Todos os projetos abaixo seguiram o mesmo ciclo: comprar, reformar por inteiro e vender. O primeiro deles, o apartamento da 1346 S Wabash, no South Loop — dois andares e rooftop. As fotos são das obras reais.
Porcelanato marmorizado, box de vidro e cuba flutuante.


Escada com guarda-corpo de vidro, lareira em pedra cinza, cozinha shaker branca e piso cinza.


Da demolição completa à banheira com porta de vidro e mármore do chão ao teto.




Ilha waterfall em quartzo Calacatta e armários shaker até o teto.




Da demolição do piso ao porcelanato polido creme — consertamos até desastre.


O álbum de família





Ato IV · O legado
Uma rua com o nome do bisavô. Um prédio construído por amor a um pai. Dois bairros inteiros, praças doadas, uma caixa d'água com placa de agradecimento. E casas reformadas do outro lado do mundo.
Este site existe para que essa história nunca se perca — e para lembrar às próximas gerações de onde viemos: de um menino de nove anos, num navio, em 1909.
De pai para filho
Família Smirne · desde 1900
A frase que sempre levei comigo
“And those who were seen dancing were thought to be insane by those who could not hear the music.”
"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados loucos por aqueles que não conseguiam ouvir a música."